Monarco

Monarco-200 Hildemar Diniz, o Monarco, (Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 1933), é um cantor e compositor brasileiro[1]. Nasceu no bairro de Cavalcanti, mas ainda criança foi morar em Nova Iguaçu. Aos 10 anos de idade mudou-se para Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio e bairro de origem da Portela. Àquela época teve de perto contato com os sambistas da escola, integrando blocos e compondo sambas ainda pequeno. Também foi nessa época que surgiu o apelido, Monarco, como o próprio relata: "Quando cheguei em Nova Iguaçu, pequeno ainda comecei a me enturmar, fugir um pouquinho de casa e conhecer os amiguinhos. Foi quando um camarada tava lendo uma revistinha pequena... Gibi, era um gibi, Super-Homem, que tinha uns negócios... e proferiu essas palavras: "... não sei o quê não sei o quê o monarco não sei o quê...", aí eu comecei a rir. Achei gozado! Garoto bobo, eu tinha 5 ou 6 anos. Aí ele: "Tá rindo por quê, seu monarco?" Aquilo bateu, ficou como um visgo ali agarrado. Todo mundo vinha, os garotos: "Monarco!", nas minhas costas me batendo, aí pegou..." Em 1950 foi convidado a integrar a ala de compositores da Portela, sua grande paixão, onde mais tarde viria a torna-se líder da Velha Guarda mais popular do Brasil. Também tornou-se diretor de harmonia da escola. Nunca conseguiu ganhar uma disputa de samba enredo, mas sempre implacou sambas de terreiro ou sambas de quadra, como são conhecidos. O mais famoso dele é "Passado de Glória", que já foi esquenta da agremiação em diversos anos e regravado por muitos intérpretes. Sua última disputa de samba enredo foi em 2007, com seu filho de Mauro Diniz e o presidente da Ala de Compositores da Portela, Júnior Scafura. Seu primeiro disco solo - que o revelou também como intérprete - foi lançado em 1976, com sucessos como "O Quitandeiro" (com Paulo da Portela), "Lenço" (com Francisco Santana) entre outros clássicos que foram regravados por grandes nomes da MPB. Outro disco de sucesso, "Terreiro", foi lançado em 1980. Em 1995, Monarco ganha reconhecimento internacional com o CD "A Voz do Samba", lançado no Japão. Lançado pelo selo Kuarup, o disco lhe rendeu um prêmio Sharp de melhor cantor do gênero. De linhagem nobre no samba, onde foi discípulo de Paulo da Portela, e música com melodias apuradas, de letras de qualidade louvável, Monarco figura entre os maiores sambistas da história. Entre seus grandes sucessos estão "Vida de Rainha", "Passado de Glória" e "Coração em Desalinho", parceria com Ratinho de Pilares, gravada por Zeca Pagodinho e que atingiu imenso apelo popular. Em 1999 a cantora Marisa Monte convidou Monarco e a Velha Guarda da Portela para o CD "Tudo Azul", de sua produção, que contou com participação de Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho. Foi um grande divisor de águas, pois tornaram-se reconhecidas ainda mais as músicas do babas e da Ala mais tradicional da Azul e Branca de Oswaldo Cruz. Em 2005, o momento de maior tristeza do bamba. Após um atraso devido ao Abre-Alas da Portela, onde funcionários da escola não conseguiram encaixar as asas da Águia a tempo do desfile, o último setor e carro da agremiação foram impedidos de desfilar, com medo do estouro do tempo regulamentar. Naquele setor era onde estavam exatamente os integrantes da Velha Guarda da Portela, entre eles Monarco, Tia Surica, Casquinha e tantos nobres do samba.

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