O engolidor de sapos

Por : Paulo Ribeiro
Qual é o limite que temos para "engolir sapos".
Qual é o limite desta pratica, em nome de uma estratégia, para que não nos transformemos também em "sapos"?
Não sei se estou ficando velho demais, ou saudosista demais, ou radical demais, ou perdi minha capacidade de analise, ou o mundo mudou demais.

Antes de colocar meu ponto de vista devo fazer um esclarecimento inicial:
Sou filiado a um partido político que no parágrafo primeiro de seu estatuto esta escrito que: "é um associação voluntaria de cidadãs e cidadãos que se propõem lutar por democracia, pluralidade,solidariedade, transformações políticas, sociais, institucionais, econômicas, jurídicas e culturais, destinadas a eliminar a exploração, a dominação, a opressão, a desigualdade, a injustiça e a miséria,com o objetivo de construir o socialismo democrático"

Concordamos plenamente quando este mesmo partido coloca como meta principal para o pleito de 2010, a eleição presidencial, para que possamos dar continuidade a implementação de uma nova política para o pais e muito mais que isso, para que possamos interferir na construção de um novo modelo das relações econômico e financeira mundial.
Deixar que a imagem que este governo criou do pais, a nível internacional, nas mãos do eixo PSDB/DEMO é colocar toda uma luta de 30 anos, na mão das corporações internacionais.

Se, hipoteticamente, perdêssemos essas eleições, teríamos 4 anos para corrigir os possíveis erros internos, mas em 2014 certamente estaríamos com mais garra, mais apoio popular, e de novo enfrentaríamos o processo eleitoral de cabeça erguida.
Se, hipoteticamente, perdêssemos essas eleições, estaríamos colocando nosso pais mais uma vez nas carteiras de credito dos banqueiros e corporações internacionais. Seria entregar "de bandeja" o pais aos "neo-liberais" para incorporá-lo ao seu novo projeto de exploração .
As eleições de 2010 serão mais cruciais para o futuro não do PT, mas sim para o futuro do Brasil e de sua classe trabalhadora.

Lamentavelmente, para minha surpresa vejo hoje 20/06, nos jornais a retirada da candidatura de João Coser ao governo de estado.
Lamentavelmente, para minha estupefação, li e não acredito, sua declaração de que ira apoiar e fazer campanha para o candidato Ferraço. (Aqui não falo em partidos, porque tanto Ferraço quanto o governador, não são políticos de partido - eles são o próprio partido).
No mesmo dia vejo a confirmação da candidatura do PSB ao governo do estado.
Segundo o jornal que li esta opção pelo Ferraço é para "preservar a aliança com o PMDB(Nacional)".

Ora, todos nos sabemos que o PMDB nacional é uma colcha de retalho e que, dificilmente esta aliança será nacional e sim regional.
A experiência do 2° turno das eleições presidenciais de 2006, no Espírito Santo, mostrou muito bem esta característica do PMDB. O governo federal havia socorrido financeiramente o governo estadual, havia o acordo para o apoio e quando veio a eleição o governador ficou em cima do muro ou pior tirou férias e viajou.
Quem acredita num apoio do governador a um candidato do PT a presidência, principalmente disputando com Serra do PSDB ( seu verdadeiro partido)?

Isso sem falar na questão essencial: "a política".

Nosso governador reza na cartilha do neoliberalismo. Seu "projeto de governo" iria transformar nosso estado na "pocilga" das empresas poluidoras "expulsas" de seus países de origem.
Fomos salvo pelo gongo da crise financeira e seu projeto foi "pro brejo".
A questão social no estado é colocada em enésimo plano.
A educação/justiça/saúde/sistema prisional/segurança estão um caos.
Quantos leitos hospitalares este governo estadual construiu? (Disponibilizar é outra coisa)

São dois projetos completamente diferentes e porque não dizer antagônicos ?

Quem quiser me provar que em nome de uma estratégia, teremos que engolir mais este sapo, tem que me provar primeiro que não me tornarei também um sapo perante aqueles que enquanto partido digo representar (ou seja os excluídos deste governo).


LOGICA ELEITORAL?
Sem pesquisas confiáveis, todas as previsões eleitorais caem na ciência do "achismo".
Segundo o Seculodiario, já foram pesquisas, mas como os resultados não eram favoráveis ao Ferraço, a Futura ( Leia-se : PH) não as publicou.
Todas as pessoas que conheço e que conhecem um pouco da capacidade de voto dos personagens políticos do estado, foram unânimes em concordar que uma chapa encabeçada por Coser tendo Casagrande de vice, seria imbatível em 2010.
Esta opção além de " preservar nossa histórica aliança com o PSB", daria motivação adicional aos militantes a participarem da campanha, afinal, não desvirtuaria a sua historia política.

Não tenho pesquisa, mas segundo a ciência do "achismo", estaríamos evitando na eleição estadual a famosa "chapa camarão", podem estar certo que isso ira ocorrer.

Se me provarem, não com "achismo", muito bem provado que a eleição de Dilma depende deste acordo, contem comigo, caso contrario, suspendam o "defeso".


3° MANDATO É DILMA 2010

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