Operários chineses barram privatização de siderúrgica

Os trabalhadores da estatal Tonghua, do ramo siderúrgico, que ia ser privatizada, atiraram pela janela o diretor que foi até lá comunicar a conclusão do negócio e a demissão de 25 mil dos 30 mil trabalhadores. O diretor Chen Guojun, da empresa siderúrgica privada Jianlong, antes de ser arremessado pela janela do segundo andar, foi espancado pelos irados trabalhadores, que depois também enfrentaram a polícia e impediram a chegada da ambulância. O executivo morreu poucas horas depois. A agência de notícias Nova China anunciou que a privatização foi cancelada para evitar o agravamento da situação, enquanto a Jianlong declarou que "não tem mais interesse" no negócio.

A revolta ocorreu na quinta-feira dia 23, segundo o relato da agência chinesa, na localidade de Tangshan, província de Jilin, no nordeste da China. Logo nas primeiras horas, os trabalhadores interromperam a produção e foram até o prédio da administração. "Chen decepcionou e provocou os operários ao anunciar que a maioria ficaria desempregada em três dias", disse um policial local, citado pelo jornal "China Daily". De acordo com a mesma fonte, Chen Guojun chegou a dizer aos milhares de trabalhadores que o cercavam que "dos atuais 30 mil restariam 5 mil".

A Jonghua, uma estatal provincial, é a 244ª maior empresa chinesa, enquanto a siderúrgica privada Jianlong é atualmente a 150ª entre as 500 maiores empresas chinesas, de acordo com levantamento feito pela agência EFE. A Jianlong passaria a ter 65% do controle da estatal - era a segunda tentativa de privatizá-la e, pelo que parece, fechá-la. No dia seguinte, a produção ainda esteve suspensa por 12 horas, até os trabalhadores obterem a confirmação sobre o cancelamento da privatização.

Uma testemunha disse que outra razão para a revolta foi a notícia de que o diretor que queria demitir todo mundo havia recebido 3 milhões de iuans no ano passado, enquanto os trabalhadores aposentados da Tonghua recebem 200 iuans por mês. O cadáver de Chen Guojun já foi levado para sua província natal, em Hebei. "Nunca vi nada igual", afirmou Geoff Crothall, da Ong "China Labour Bulletin", de Hong Kong. Ele acrescentou que "na maioria dos casos de privatizações, os funcionários temem ser demitidos com indenizações irrisórias, com as quais poderiam viver apenas alguns anos".

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