Primo de PH fatura mais de R$ 54 milhões em obras no Estado

A Estrutural Construtora e Incorporadora Ltda., empreiteira de Braulino Gomes, primo do governador Paulo Hartung (foto), segue soberana no universo das licitações públicas no Espírito Santo. Um retrato desse cenário é expresso pelo valor dos contratos e aditivos faturados pela Estrutural apenas no ano de 2009, que chegam a R$ 54,3 milhões. O volume de contratos está espalhado entre secretarias do governo do Estado e as prefeituras ligadas ao projeto político do governador, como Anchieta e Serra.

Apesar do histórico de obras mal executadas - que invariavelmente necessitam de reparos logo após a inauguração - e até mesmo causando a morte de um funcionário durante a execução do projeto, a empreiteira faturou obras de reparos em obras e até mesmo de construção de casas populares. Numa de suas obras houve a morte de um funcionário. A última conquista da Estrutural foi registrada nessa quarta-feira (19) com a vitória de dois grandes contratos junto à Secretaria de Educação (Sedu) em um só dia. Neste caso, serão desembolsados pelo Tesouro estadual mais de R$ 14,8 milhões com a reforma de escolas no interior do Estado.

Segundo dados coletados no Diário Oficial do Estado, a Estrutural fechou, desde o início do ano, quinze contratos junto ao Poder Público no Estado, entre eles novos contratos e aditivos financeiros a vínculos anteriores.

Neste universo de obras, o destaque fica por conta dos contratos fechados com o Instituto de Obras Públicas do Estado (Iopes). Ainda dentro da esgfera do governo do Estado, a Estrutural aparece como detentora de contratos com a Secretaria de Gerência e Recursos Humanos (Seger) e a Sedu. Fora da esfera de obras tocadas pelo Estado, a empreiteira também venceu contratos nas prefeituras de Anchieta e Serra, todas ligadas a prefeitos do círculo de aliados do governador Paulo Hartung.

Segundo a edição dessa quarta-feira (19) do Diário Oficial do Estado, a empreiteira irá executar as obras de reforma e ampliação da EEEFM Henrique Coutinho, em Iúna (contrato 039/2009), pelo valor inicial de R$ 5.136.707,11, sem contar que a obra poderá sofrer aditivos durante os 485 dias de prazo estabelecidos para sua conclusão.

O outro contrato arrematado pela empreiteira do primo do governador, de número 042/2009, prevê a execução das obras de reconstrução do EEEM Emir Macedo Gomes, em Linhares, pelo valor de R$ 9.695.985,91. A obra terá uma duração maior (780 dias) e também não estão previstos futuros aditamentos ao preço inicial da empreitada.

As recentes vitórias da Estrutural deixam claro que os resultados de grandes licitações de obras públicas no interior do Estado seguem sem maiores surpresas, com a vitória - na maioria dos casos - para a empreiteira do parente do governador.

Antes disso, a empresa arrematou também de uma só vez sete grandes contratos da Cohab (Companhia de Habitação e Urbanização do Estado) para a construção de mil casas populares em 22 municípios interioranos. Somados, os contratos irão render para a empreiteira um total de R$ 25.483.003,93.

A grande lista de obras com a presença da Estrutural pelo interior do Estado revela o principal nicho de mercado ocupado por ela. O que se comenta nos meios empresariais é que, por conta do grau de parentesco, a Estrutural evita obras na Grande Vitória, onde a concorrência também é maior. É no interior que a empresa de Braulino coloca as mangas de fora.

No entanto, as polêmicas envolvendo a Estrutural não se resumem às vitórias em licitações públicas. Chegam até a fase de entrega das obras. No portfólio da Estrutural, uma lambança e outra tragédia maculam também os serviços da empreiteira.

A primeira aconteceu no mês de julho último, pouco mais de três meses depois da entrega do novo o Terminal de Jacaraípe, no município da Serra. A obra custou aos cofres públicos mais de R$ 7 milhões, mas nada impediu que logo após a inauguração o terminal já tivesse que entrar em obras. Isso porque o teto do local corria risco de desabamento e necessitava de escoras para que a estrutura não desabasse sobre os freqüentadores do local.

A justificativa apresentada foi um comportamento 'inesperado' de uma peça que deveria permitir a dilatação térmica da estrutura do teto. Contudo, as suspeitas recaem sobre a imperícia na execução da empreitada com o uso, inclusive, de material fora do previsto no projeto original.

Quanto às tragédias, uma outra obra da Estrutural foi manchete nos jornais. No mês de março, um desmoronamento durante a construção de uma rede de esgoto no bairro Porto, em São Mateus, matou um operário da empreiteira e um soldado do Corpo de Bombeiros.

Na época do acidente, familiares das vítimas fizeram duras críticas ao governo e lançaram a responsabilidade também sobre a empreiteira do primo de Hartung. Novamente, as queixas foram a respeito da qualidade do material usado na obra.

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