Evo Morales propõe referendo sobre bases americanas

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou hoje que irá propor durante a cúpula de líderes da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que ocorre sexta-feira na Argentina, a realização de um "referendo continental" sobre o acordo militar que a Colômbia negocia com os Estados Unidos.
"Vou propor em Bariloche um referendo sobre as bases militares", afirmou ele, que falou a camponeses e mineiros no município de Coipasa, a 350 quilômetros da capital La Paz.
"Se o presidente da Colômbia não quer retirar e acabar com as bases militares dos Estados Unidos, vamos sugerir a adoção de mecanismos que permitam estabelecer uma democracia continental e sul-americana", explicou.
A reunião de sexta-feira, que ocorrerá em Bariloche, sudoeste da Argentina, foi convocada para discutir o acordo entre Bogotá e Washington, que prevê a cessão de sete bases colombianas a oficiais dos Estados Unidos por um período de dez anos.
Alguns países da região, entre eles Brasil e Bolívia, além de Venezuela e Equador, dizem estar preocupados quanto aos objetivos do convênio.
Entretanto, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, já garantiu que a iniciativa tem como finalidade o fortalecimento das estratégias de defesa de seu país contra o narcotráfico e as guerrilhas.
Morales, que no início deste ano conseguiu aprovar uma nova Constituição em um referendo, disse que a consulta continental servirá "para mostrar ao mundo a decisão do povo" sul-americano.
"Que os povos digam sim ou não. É mais democrático que decidam com a consciência e o voto, e não por imposição do império", argumentou.
Ao recordar seu "exemplo pessoal", o presidente boliviano disse que "as bases militares dos Estados Unidos são também agências políticas que se intrometem em assuntos internos dos países".
"Às vezes, penso que a instalação destas bases na América do Sul é uma provocação do império para criar conflito entre os presidentes e estancar a integração regional", afirmou.
No ano passado, Morales expulsou da Bolívia o embaixador dos Estados Unidos, Philip Goldberg, e os funcionários da agência norte-americana antidrogas (DEA) que atuavam no país. Todos foram acusados de ingerência e conspiração contra seu governo. (ANSA)

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