O discurso do medo, outra vez

Mário Marona

Em 2002, a atriz Regina Duarte interpretou um texto no programa do PSDB em que declarava seu voto em José Serra por estar com medo de Lula – “que eu achava que conhecia, mas não reconheço mais” – e da volta da inflação de 80% ao mês, como resultado da vitória do PT. Não funcionou, embora seja possível que uma parcela do eleitorado brasileiro tenha se deixado convencer pelo discurso ameaçador do PSDB.


   Reeleito em 2006, desta vez contra um candidato (Geraldo Alckmin) que conseguiu a façanha de obter menos votos no segundo do que no primeiro turno, Lula chega ao último ano do seu governo tão admirado pelo povo que foi preciso reinventar o sermão do medo. Nos últimos dez dias, oposicionistas de dentro e de fora dos quadros partidários vêm sustentando uma nova e curiosa versão do monólogo de Regina Duarte. Já que Lula não assusta e é aprovado por 80 e tantos porcento da população, recomendam que o eleitor tema o PT e sua candidata à presidência, que seriam muito diferentes do presidente.

    O mais recente monólogo do medo reconhece que Lula não incendiou o país, mas lhe atribui a preparação de um ambiente para piromaníacos.

    Tese exposta com mais ou menos intensidade desde que a ex-guerrilheira Dilma Rousseff foi escolhida como pré-candidata, a suposta guinada do governo à esquerda ganhou espaço mais amplo com o lançamento do marco regulatório do pré-sal, e alcançou barulhenta unanimidade a partir da assinatura do decreto que institui o Programa Nacional dos Direitos Humanos.

   O discurso oposicionista repete com insistência meia dúzia de bordões que traduzem uma aposta na crise institucional e na incompatibilização de Dilma e do PT com o eleitor de Lula:

>  A volta do velho PT radical de sempre;

>  Um retrocesso político em relação à atitude moderada do Governo Lula;

>  Imposição de linguagem e estilo estalinistas;

>  Revanchismo contra os militares;

>  Vitória da guerrilha e dos terroristas contra a Lei de Anistia;

   O medo está de volta, em declarações, discursos, manchetes e títulos de primeira página.

   O Programa Nacional dos Direitos Humanos seria uma retomada da Carta de Olinda do PT e a revogação da Carta aos Brasileiros. Mentira. O Programa Nacional dos Direitos Humanos não é uma mudança radical na linha política do governo. Na verdade, é um texto com medidas que não fazem mais do que aplicar resoluções da Oorganização das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos. Parte delas, inclusive, também apoiadas durante o Governo Fernando Henrique.

   Retomada da Carta de Olinda? Mentira. A Carta de Olinda do PT nunca foi revogada. Portanto, não poderia estar sendo retomada agora. A Carta aos Brasileiros, de 2002, não revogou a Carta de Olinda e tampouco está sendo desrespeitada agora.

   A confusão é deliberada. Nem a Carta aos Brasileiros nem o governo de Lula abdicaram da ideologia do PT. Pelo contrário. Foram a garantia de sua adoção. A Carta aos Brasileiros foi uma declaração de respeito às regras do mercado e da democracia representativa, necessária diante do discurso terrorista do governo da época e do seu candidato – o discurso do medo, que tentam espalhar de novo.

   Lula representou a realização do projeto histórico e estratégico do PT. O sucessor de Lula será a consolidação desse projeto e a sua atualização.    O discurso do medo, adotado nos últimos dias pela oposição, não tem um único objetivo senão o de obstruir o crescimento da candidatura do governo junto aos brasileiros.

 

Original em:

Em 2002, a atriz Regina Duarte interpretou um texto no programa do PSDB em que declarava seu voto em José Serra por estar com medo de Lula – “que eu achava que conhecia, mas não reconheço mais” – e da volta da inflação de 80% ao mês, como resultado da vitória do PT. Não funcionou, embora seja possível que uma parcela do eleitorado brasileiro tenha se deixado convencer pelo discurso ameaçador do PSDB.

   Reeleito em 2006, desta vez contra um candidato (Geraldo Alckmin) que conseguiu a façanha de obter menos votos no segundo do que no primeiro turno, Lula chega ao último ano do seu governo tão admirado pelo povo que foi preciso reinventar o sermão do medo. Nos últimos dez dias, oposicionistas de dentro e de fora dos quadros partidários vêm sustentando uma nova e curiosa versão do monólogo de Regina Duarte. Já que Lula não assusta e é aprovado por 80 e tantos porcento da população, recomendam que o eleitor tema o PT e sua candidata à presidência, que seriam muito diferentes do presidente.

    O mais recente monólogo do medo reconhece que Lula não incendiou o país, mas lhe atribui a preparação de um ambiente para piromaníacos.

    Tese exposta com mais ou menos intensidade desde que a ex-guerrilheira Dilma Rousseff foi escolhida como pré-candidata, a suposta guinada do governo à esquerda ganhou espaço mais amplo com o lançamento do marco regulatório do pré-sal, e alcançou barulhenta unanimidade a partir da assinatura do decreto que institui o Programa Nacional dos Direitos Humanos.

   O discurso oposicionista repete com insistência meia dúzia de bordões que traduzem uma aposta na crise institucional e na incompatibilização de Dilma e do PT com o eleitor de Lula:

ü  A volta do velho PT radical de sempre;

ü  Um retrocesso político em relação à atitude moderada do Governo Lula;

ü  Imposição de linguagem e estilo estalinistas;

ü  Revanchismo contra os militares;

ü  Vitória da guerrilha e dos terroristas contra a Lei de Anistia;

   O medo está de volta, em declarações, discursos, manchetes e títulos de primeira página.

   O Programa Nacional dos Direitos Humanos seria uma retomada da Carta de Olinda do PT e a revogação da Carta aos Brasileiros. Mentira. O Programa Nacional dos Direitos Humanos não é uma mudança radical na linha política do governo. Na verdade, é um texto com medidas que não fazem mais do que aplicar resoluções da Oorganização das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos. Parte delas, inclusive, também apoiadas durante o Governo Fernando Henrique.

   Retomada da Carta de Olinda? Mentira. A Carta de Olinda do PT nunca foi revogada. Portanto, não poderia estar sendo retomada agora. A Carta aos Brasileiros, de 2002, não revogou a Carta de Olinda e tampouco está sendo desrespeitada agora.

   A confusão é deliberada. Nem a Carta aos Brasileiros nem o governo de Lula abdicaram da ideologia do PT. Pelo contrário. Foram a garantia de sua adoção. A Carta aos Brasileiros foi uma declaração de respeito às regras do mercado e da democracia representativa, necessária diante do discurso terrorista do governo da época e do seu candidato – o discurso do medo, que tentam espalhar de novo.

   Lula representou a realização do projeto histórico e estratégico do PT. O sucessor de Lula será a consolidação desse projeto e a sua atualização.    O discurso do medo, adotado nos últimos dias pela oposição, não tem um único objetivo senão o de obstruir o crescimento da candidatura do governo junto aos brasileiros.

 

Original em: http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/?p=7219

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