Um dos maiores segredos da medicina.


 Você já ouviu falar na Equipe Médica Internacional Cubana ou na Brigada Cubana Henry Reeve? Provavelmente não, isso devido à tentativa de deixar no anonimato à iniciativa de Fidel Castro de levar medicina de qualidade as pessoas pobres, independente do país em que vivem.

Vamos começar pelo Haiti, o país mais pobre das Américas devastado recentemente por um terremoto que matou mais de 250 mil pessoas e deixou outras 1,5 milhões de desabrigados.

Em 1998 o Haiti passou por um outro terremoto, e Cuba enviou para lá os profissionais de saúde da Equipe Médica Internacional. Eles estavam lá até o recente terremoto, e lá permanecem até hoje. Após a terrível catástrofe os Estados Unidos e a Inglaterra gritaram para os quatro cantos que enviariam uma ajuda humanitária como nunca se tinha visto, e o que aconteceu? Nada. Fidel Castro reforçou a equipe médica que hoje conta com 1.200 médicos, além da Brigada Cubana Henry Reeve, especializada em desastres e urgência, que juntos com os Médicos Sem Fronteiras são os únicos a socorrer os haitianos que, se não bastasse o terrível terremoto, hoje estão morrendo de cólera. Estados Unidos e Inglaterra sumiram de lá. Além dessa ajuda o governo cubano já treinou desde 1998 550 médicos haitianos gratuitamente na Escola Latinoamericana de Medicina em Cuba (ELAM), e outros 400 estão sendo treinados gratuitamente.

Médico cubano atuando no combate a Cólera no Haiti.
Imagem rara devido a propaganda anti-cuba que tenta esconder
a ajuda humanitária enviada por Fidel e Raul Castro ao país
devastado pelo grande terremoto.

 Você sabia disso? Acho que não. Mas não por que você, nobre leitor do blog é uma pessoa desenformada, isso ocorre para não envergonhar as grandes potências. Cuba faz o papel dos país ricos na ajuda humanitária, e isso é péssimo para a imagem de americanos e ingleses. Segundo John Kirk, professor de Estudos Latino-Americanos na Universidade Dalhousie, no Canadá, a contribuição de Cuba, como ocorre agora no Haiti, é o maior segredo do mundo. Eles são pouco mencionados, mesmo fazendo muito do trabalho pesado.

O envio de médicos cubanos para regiões pobres no planeta começou em 1960, quando Cuba enviou alguns médicos para o Chile, devastado por um terremoto. Em 1963 Fidel Castro enviou 50 médicos para a Argélia, isso apenas 4 anos após a Revolução.

Médicos da Brigada Cubana Henry Reeve
Em alguns casos Cuba consegue algo em troca, haja vista que esse país sofre um dos maiores crimes do planeta, um terrível embargo econômico que impede o país de conseguir recursos. Durante a Operação Milagre, oftalmologistas cubanos trataram portadores de catarata em aldeias pobres da Venezuela em troca de petróleo. Mas note que Cuba não envia seus médicos e pede algo em troca, isso ocorre somente em alguns casos, já que a Constituição Cubana determina que o país ajude outros países em pior situação, quando possível. A Operação Milagre restaurou a visão de 1,8 milhões de pessoas em 35 países. Na Bolívia os médicos  recuperaram a visão do sargento aposentado Mário Teran, que matou Che Guevara em 1967. Che foi um dos heróis da Revolução Cubana.

Mário Teran, sargento que executou Che Guevara
recuperou a visão graças a oftalmologistas cubanos
do programa Operação Milagre, da Equipe Médica
Internacional Cubana
A Brigada Henry Reeve, rejeitada pelos norte americanos após o furacão Katrina, foi a primeira equipe a chegar ao Paquistão após o terremoto de 2005, e a última a sair seis meses depois. Paquistão e Estados Unidos são aliados, mas foram os cubanos que mais ajudaram a população.

Um terço dos 75 mil médicos de Cuba, juntamente com 10.000 trabalhadores de saúde, estão atualmente trabalhando em 77 países pobres, incluindo El Salvador, Mali e Timor Leste. Isso ainda deixa um médico para cada 220 pessoas em Cuba, uma das mais altas taxas do mundo, em comparação com um para cada 370 na Inglaterra. 

Outra imagem rara, médica cubana
atendendo um pequeno haitiano
vitimado pela cólera.
Onde quer que sejam convidados, os cubanos implementam o seu modelo de prevenção com foco global, visitando famílias em casa, com monitoramento  proativo de saúde materna e infantil. Isso produziu resultados impressionantes em partes de El Salvador, Honduras e Guatemala, e redução das taxas de mortalidade infantil e materna, redução de doenças infecciosas e deixando para trás uma melhor formação dos trabalhadores de saúde locais, de acordo com a pesquisa do professor Kirk. 

A formação médica em Cuba dura seis anos, um ano mais do que no Reino Unido, após o qual todos trabalham após a graduação como um médico de família por três anos no mínimo. Trabalhando ao lado de uma enfermeira, o médico de família cuida de 150 a 200 famílias na comunidade em que vive. Este modelo ajudou Cuba a alcançar alguns índices invejáveis de melhoria em saúde no mundo, apesar de gastar apenas $ 400 (£ 260) por pessoa no ano passado em comparação com $ 3.000 (£ 1.950) no Reino Unido e $ 7.500 (£ 4,900) nos EUA, de acordo com Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento. 

Agora está sendo desenvolvido um Novo Programa de Formação de Médicos Latino-americanos", ideia de Fidel Castro e Hugo Chávez que pretende formar 100 mil médicos para o nosso continente. O curso que é muito mais prático conta com cerca de 49 mil estudantes, e claro, os críticos já começaram a questionar a qualidade da formação. 

Escola Latinoamericana de Medicina (ELAM). Cuba


O professor Kirk discorda das críticas: segundo ele a abordagem high-tech para as necessidades de saúde em Londres e Toronto é irrelevante para milhões de pessoas no Terceiro Mundo que estão vivendo na pobreza. É fácil ficar de fora e criticar a qualidade, mas se você está vivendo em algum lugar sem médicos, ficaria feliz quando chegasse algum.

Há nove milhões de haitianos que provavelmente descordariam dos críticos. 


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